“Corrupção astronómica” na agência espacial russa responsável pelo lançamento dos satélites Angosat-1 e Angosat-2

As más notícias continuam para a agência espacial russa Roscosmos. Depois de em Dezembro de 2017 ter “perdido o rasto” do primeiro satélite angolano Angosat-1 e, de em Outubro do ano passado o lançamento de um foguetão ter falhado e obrigado à evacuação de emergência de dois cosmonautas, são agora as notícias dos casos de corrupção a afectar a instituição.

A agência de notícias France Press (AFP) diz esta terça-feira que o desaparecimento de milhões de euros põem em causa o lançamento dos novos foguetões e da estação lunar que a Roscosmos tinha previsto para os próximos anos, incluindo o Angosat -2.

“Milhões de rublos estão a ser roubados . Milhões”, lamentou-se em meados de Maio o chefe de investigação criminal do país, Alexander Bastrykin. “Estamos a investigar isto há cinco anos e não há fim à vista”.

O último caso prende-se com a fuga do país, em Abril, de Yuri Yaskin, director do departamento de Instrumentalização Espacial baseado em Moscovo. Foi já fora da Rússia que anunciou renunciar ao cargo e vários jornais russos dizem que o fez por temer acusações de prática danosa aquando da auditoria que a polícia fazia nas instalações da Roscosmos.

Depois de anos em que o programa soviético lutava taco a taco com os Estados Unidos pelo domínio espacial, a Rússia tem hoje pouco de que se orgulhar.

Os dois principais programas espaciais que o país tinha traçado para esta década estão em risco de nem sequer se concretizar.

Um deles era o GLONASS, a alternativa russa ao GPS. Outro era o cosmódromo de Vostochny, uma plataforma de lançamento de foguetões que pudesse funcionar como alternativa à que a Rússia hoje usa e que está localizada fora das fronteiras, no Cazaquistão.

Mas também as empresas que geriam estes programas se viram envolvidas em escândalos de corrupção, com alguns dos seus dirigentes a serem presos por fraude.

Desde o lançamento da Estação Espacial Internacional, em 1998, que a Rússia não tem praticamente nenhuma vitória no seu programa de exploração do espaço.

Nos finais de Abril de 2018, a empresa Energiya, responsável pela construção do Angosat-1, reconheceu a perda do aparelho, desenvolvido especialmente para Angola e colocado em órbita em Dezembro de 2017.

A comunicação com o satélite angolano foi perdida logo após o lançamento. Em resultado disso, a parte russa se comprometeu a construir um satélite novo por sua conta .

“Foram realizadas negociações entre o director-geral da empresa estatal russa Roscosmos, Dmitry Rogozin, e o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação de Angola, José Carvalho da Rocha. […] As partes reiteraram o objectivo de cumprir as obrigações em relação ao lançamento do satélite Angosat-2 no prazo estabelecido”, explicou na altura a assessoria da agência.

O primeiro satélite angolano “Angosat -1”, um investimento de cerca de 270 milhões de euros, foi projectado para sair para órbita a partir de Baikonur, no Cazaquistão, numa operação coordenada pela Roscosmos, a agência espacial russa e foi lançado para o espaço a 26 de Dezembro de 2017.

O novo satélite angolano “Angosat-3” começou a ser construído pela empresa francesa Airbus a 24 de Abril de 2018 pela empresa francesa Airbus, construtora que acolheu cerca de seis dezenas de técnicos angolanos, enquadrados em equipas permanentes , para acompanhar o projecto.

O Angosat -3 estará operacional em 2021 e a sua construção está orçada em 280 milhões de euros.

*Com Diário de Notícias.

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