Angola presta contas à ONU sobre ligações à Coreia do Norte

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Acusada de furar o embargo imposto pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas à Coreia do Norte, em resposta ao seu programa nuclear, Angola comunicou recentemente ao Comité das Sanções da organização o que tem feito para cumprir as orientações contra Pyongyang.

Um dia depois de o jornal Financial Times ter avançado que os EUA estão a aumentar a pressão sobre os países africanos com ligações militares e diplomáticas a Pyongyang, a imprensa internacional noticiou o fim de todos os contractos da construtora norte -coreana Mansudae em Angola .

Embora a ruptura com a empresa tenha sido consumada em Novembro passado, conforme em novembro passado, conforme o Novo Jornal Online publicou na altura, o NK News- site independente especializado na Coreia do Norte, escreve que a decisão foi recentemente comunicada ao Comitê de Sanções da ONU.

“No seu relatório sobre a implementação das sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, Angola diz que informou em novembro a Coreia do Norte sobre a sua decisão de pôr fim aos contractos com a firma de construção Mansudae”, lê-se no NK News. A publicação cita mesmo um excerto do documento apresentado por Luanda.

“Com o fim desses contractos, o Grupo Mansudae Angola terminou todas as suas actividades em Angola a 13 de novembro de 2017, e os seus trabalhadores foram convidados a abandonar o território nacional”, reportam as autoridades angolanas.

No relatório, faz-se ainda referência a um levantamento sobre a população norte-coreana em Angola, embora não se especifique a sua dimensão. Luanda garantiu igualmente que orientou todos os órgãos pertinentes a assegurar a implementação “estrita” das sanções adoptadas pela ONU contra Pyongyang.

Em causa está o cumprimento da resolução 2371 do Conselho de Segurança, aprovada por unanimidade a 5 de agosto do ano passado para reforçar as punições da ONU contra a Coreia do Norte, face aos testes com dois mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), realizados em 3 e 28 de julho de 2017.

O documento inclui as sanções mais fortes já aplicadas em resposta a um teste de mísseis balísticos e tem como alvo as principais exportações da Coreia do Norte, impondo uma proibição total de todas as exportações de carvão, a maior fonte de receita externa da Coreia do Norte, ferro, minério de ferro, chumbo e frutos do mar, que representam a entrada de menos 1.000 milhões de dólares por ano em divisas. Também proíbe todos os empreendimentos conjuntos ou entidades comerciais cooperativas entre a Coreia do Norte e outras nações e investimentos adicionais nos já existentes.

Angola na mira da ONU

Para além de suspeitar da compra de armas a Pyongyang por parte do Estado angolano, a ONU desconfia que ” a guarda presidencial de Angola e outras unidades foram treinadas por pessoas da República Democrática Popular da Coreia”.

A informação consta do relatório de 111 páginas apresentado em setembro passado por um painel de oito especialistas .

Segundo os peritos, no centro dos negócios de Angola com a Coreia do Norte surge Kim Hyok Chan, norte-coreano com visto de diplomata em Luanda, apontado como representante da Green Pine Corporation, empresa responsável por quase metade das armas exportadas pela Coreia do Norte, e alvo de sanções da comunidade internacional desde 2012.

Ainda segundo os especialistas da organização mundial, Kim Hyok Chan “é representante da Green Pine Corporation responsável pela remodelação dos navios da República Democrática Popular da Coreia que violou as resoluções internacionais “.

Os investigadores indicam que o norte-coreano viajou com outro diplomata acreditado em Angola, Jon Chol Young, entre Angola e o Sri Lanka, numa ” tentativa falhada” de vender navios militares.

Fonte: Novo Jornal Online.

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