EUA ameaçam impor restrições se Alemanha fizer contratos com Huawei para redes 5G

O embaixador dos EUA na Alemanha, Richard Grenell, enviou uma carta ao Governo alemão, ameaçando restringir o acesso à inteligência americana se Berlim fizer contratos com a empresa chinesa de telecomunicações Huawei para as suas redes de comunicação 5G.

“O ministro federal para Assuntos Económicos e Energia recebeu efectivamente uma carta. Não há comentários a fazer sobre o seu conteúdo. Haverá uma resposta rápida”, disse Matthias Wehler, porta-voz da embaixada alemã em Washington, citado esta terça-feira pela CNN.

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Na quinta-feira, o Governo alemão anunciou que não impedirá quaisquer empresas de concorrerem à construção das redes 5G do país, seguindo uma decisão semelhante do Reino Unido . As posições de ambos os países , que argumentaram que são capazes de atenuar eventuais riscos, deverão criar dificuldades a Washington para convencer países mais pequenos a adoptarem as suas recomendações.

EUA PRESSIONAM ALIADOS

A carta, que foi noticiada na segunda-feira pelo diário “The Wall Street Journal”, surge na sequência de uma série de avisos de altos funcionários da Administração norte-americana, incluindo o vice-presidente Mike Pence, que denunciaram as alegadas ligações da Huawei com os serviços chineses de informação e a sua capacidade de comprometer a segurança nacional.

Os EUA estão a pressionar os seus aliados a limitarem a participação da Huawei, que é a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, nas redes 5G. Lembrando os laços da empresa com o Governo chinês, Washington diz que Pequim poderá recorrer aos equipamentos da Huawei para espiar outros países.

A empresa rejeita que qualquer dos seus produtos represente uma ameaça nacional e garante que recusaria qualquer pedido de Pequim para os usar em espionagem.

HUAWEI PROCESSA GOVERNO AMERICANO

Na quinta-feira, a empresa chinesa de telecomunicações processou o Governo norte-americano, alegando que a legislação que limita os seus negócios nos EUA é inconstitucional.

A Huawei disse ter dado entrada com uma queixa num tribunal federal no Texas contestando a secção 889 da lei de autorização de defesa nacional, promulgada pelo Presidente Donald Trump em Agosto do ano passado, que proíbe agências federais e os seus contratados de adquirirem os equipamentos e serviços da empresa.

A acção foi o mais recente desenvolvimento no confronto entre Washington e Pequim, que passaram a maior parte do ano de 2018 a impor tarifas sobre os bens um do outro. O ano terminou com a prisão da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a 1 de Dezembro, no aeroporto internacional de Vancouver, no Canadá, a pedido dos Estados Unidos.

MENG PROCESSA GOVERNO CANADIANO

O Governo norte-americano também indiciou Meng e a Huawei por fraude bancária e evasão de sanções e solicitou formalmente a extradição do Canadá da directora financeira da empresa.

Meng, que é filha do fundador da Huawei, volta a comparecer em tribunal a 08 de Maio em Vancouver, onde se encontra em prisão domiciliária. A 01 de Março, o Canadá aprovou os procedimentos de extradição e Meng processou entretanto o Governo canadiano por violação de direitos na sua prisão.

Para muitos, a detenção foi uma jogada política da Administração Trump para ganhar vantagem nas negociações entre os Estados Unidos e a China sobre comércio e tecnologia.

Fonte : Expresso.

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