Que o 4 de Fevereiro possa impedir que Luanda Leaks e a corrupção fiquem ligadas à História; será isso possível?

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O mês de Janeiro não tem sido muito simpático aqui para este vosso amigo. Há cerca de 15 dias que ando com uma bela gripe. Como não bebi cerveja, e muito menos, “corona”, por certo que não tenho a companhia da dos chineses – há tantos anos pelas nossas terras e os chineses não podiam ter optado por uma “cucavírus” ou “nocalvírus”? não, tiveram de ir ao México buscar uma cerveja para baptizar a sua gripe ofídio-chiroptera (serpente e morcego)…

E foi – está a ser – um mês muito profícuo no que tange a notícias da e para a Banda; com particular destaque para o “Luanda Leaks” que expôs – colocou a nu – , tudo o que há muito se rumorejava e ninguém parecia ter algum interesse em torná-lo mais público. Parece que teve de ser um hacker português que, sabe-se lá como, conseguiu com um tirito, apanhar uma enorme baleia. E andam tantos à procura de Moby Dick…

Não vou entrar em pormenores sobre o Luanda Leaks. Já muito foi dito, eu escrevi um texto no meu blogue Pululu «As cogitações do Luanda Leaks: o que trarão?» onde disserto sobre o assunto, mas não posso deixar de referir que este primeiro grande ataque à corrupção em Angola deverá ter completa continuidade até onde as autoridades puderem ir com as suas armas, mesmo que isso coloque em causa poderes instituídos.

Não podemos continuar a ser vistos, como alguns o fizeram, como um dos países mais corruptos do Mundo. Temos corrupção? Temos – quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra; Vivemos da e com corrupção? Sim, é claro e manifesto há muitos anos. Mas isso não impede que o Governo e as autoridades judiciais sejam firmes no combate ao mesmo. Vai, alguma vez, acabar? Não creio se sejamos tão utópicos quanto isso. Enquanto o dinheiro não tiver cor, enquanto não tiver cheiro, enquanto for «Money is God», a corrupção estará sempre presente. Apontem-me um País onde não haja corrupção; um único!

Mas o combate não pode se ficar por um ataque acérrimo a uma família e só a uma família. Nem usar essa família, por muito que seja vista – e, verdade seja dito, é – como o principal motor dos factos corruptivos que poluem as manchetes de todo o Mundo. Não é apagar o seu nome e a sua imagem que vamos fazer desaparecer a corrupção instalada. Se a dita família, ou a família em causa, pode ter sido o motor, muitos “veículos” se aproveitaram dessa ocorrência e, provavelmente, serão alguns dos que hoje mandam «deitar abaixo» o motor que os alavancou. Normalmente são assim…

A História – e é bom que, de uma vez por todas, todos, mas todos se capacitem disso – é feita de uma sucessão de factos, uns bons, outros menos bons, outros incomportáveis com a condição Humana. E é essa sucessão que deve ser respeitada. Por exemplo, não é apagar o nazismo que este deixa de ter ocorrido; pelo contrário. É recordá-lo que impedimos que o mesmo volte a aparecer. Também isso que devemos fazer internamente: não diabolizar e apagar a família dos Santos para podermos assobiar para o lado.

Se fizeram coisas menos correctas, também o antigo Presidente e o seu Governo, conseguiram colocar Angola na História africana e mundial por boas razões, nomeadamente, sermos respeitados como um País que conseguiu recuperar de uma fratricida guerra e poder ajudar outros Países africanos a conseguirem ou tentarem a resolução dos seus conflitos internos. E nisso o Presidente João Lourenço está a ser um bom continuador.

Ora o 4 de Fevereiro poderá ser um principio para que o processo Luanda Leaks eixe de ser visto como um polvo sem princípios, mas como o princípio do fim de uma era onde a corrupção foi o manjar dominante.

Estou expectante quanto ao que vai ser dito nas comemorações do 4 de Fevereiro. Um dos primeiros factos que o Presidente ou seu representante deverá – deveria – proferir é tirar a carga política individualista de um partido (de um movimento de Libertação) de uma data que não é de um único movimento político, mas de uma vasta colecção e movimentos e personalidades de diferentes quadrantes políticos que levaram por diante, precipitadamente, os ataques à 7ª esquadra e outras esquadras e quartéis – afirmo, precipitadamente, porque, não esquecer, o 4 de Fevereiro de 196, Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional (e o 4 de Janeiro, na Baixa do Cassange, não é ela também uma data histórica para o início da Luta Armada?), ocorreu devido constar que os assaltantes do navio português Santa Maria, liderados por Henrique Galvão, se dirigia a Luanda, onde já o esperavam inúmeros jornalistas estrangeiros, o que se veio a verificar ter sido uma informação errada.

Seria óptimo que o senhor Presidente ou o seu representante na alocução pelo Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional dissesse que esta é uma data da História Nacional e não uma data de um partido político. Este acto, por certo, que não agradaria aos mais ortodoxos do seu partido, mas agradaria aso muitos milhões que consideram que o 4 de Fevereiro foi um acto de Angolanos e não um acto deste ou daquele movimento.

Como tenho dito e escrito sempre, a História faz-se escrevendo com verdade e, à História, deve ser entregue o que a História criou…

Por exemplo, os Movimentos de Libertação Nacionais, o Movimento Popular de Libertação Nacional (MPLA), a Frente Nacional de Libertação Angola (FNLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Devem estar num lugar de destaque do Museu de História de Angola e não nas bocas políticas.

Que se criem – e um já o fez – o Partido MPLA, o Partido FNLA e o Partido UNITA, mas com insígnias e estandartes diferentes, ainda que possam ter base nas dos movimentos, porque estas, as dos movimentos, pertencem à História!

Será que conseguem fazê-lo? Será que darão à História o direito de não ser associada a factos político-económicos menos dignos derivados de atitudes menos pensadas, menos colegiais, menos honestas, como actos ilícitos: a corrupção, a falta de transparência, o desvio de dinheiros públicos?

Pensem; o 4 e Fevereiro, Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional, pode ser um bom princípio…

* Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) e investigação para Pós-Doutorado pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto; Investigador associado do CINAMIL**

** Todos os textos por mim escritos só me responsabilizam a mim e não às entidades a que estou agregado

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